Pequenos Livros: Lino


“Os dois rodopiaram de mãos dadas

Até ficarem tontos de se deixar

Cair no chão de tanto rir”

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Quando a sua “melhor pessoa” some, o que fazer? Lino, um porquinho de pelúcia teve de lidar com essa situação. Sentiu que iria desaparecer. Porém, encontrou Estrela e tudo mudou!

Lino teve sua primeira edição em 2010 e foi um dos grandes sucessos de seu autor e ilustrador André Neves. André já lançou mais de 50 obras e é um artista brasileiro renomado e premiado no campo das ilustrações.

Com a palavra, o próprio autor/ilustrador:

(Projeto “Encontro com autores” da Callis Editora)

(Entrevista para a revista Crescer)

Você poder conhecer mais sobre o autor entrando em seu blog oficial , no facebook  ou em inúmeras entrevistas que ele já deu como aqui  ou aqui .

Amo quando percebo a qualidade com que foi feita cada página. As ilustrações de André Neves são incomparáveis, as cores e os sentimentos que elas expressão invadem o mundo externo ao livro. O gráfico das letras combina com a ilustração e há uma brincadeira/intencionalidade com o tamanho de algumas palavras.

No Brasil, o livro foi publicado pela editora Callis

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ATENÇÃO: A partir daqui pode conter spoiler do livro

Mais um livro em que  como tema a morte/sumiço de um personagem. Porém, diferentemente do meu post anterior do livro Vó Nana, não há uma despedida. De um dia para outro Lua desaparece da vida de lino. Alguma semelhança com a nossa realidade?

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Já li várias vezes o livro e, apesar dessa temática, o que mais me chama a atenção é a relação da criança com o brinquedo. Da Estrela com o Lino. Gosto de observar as ilustrações em que os dois estão juntos.

O quanto nos doamos e precisamos destes objetos. Quem nunca teve seu brinquedo/objeto  preferido? Algumas pessoas guardam até hoje!

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Eu tive meu ursinho de pelúcia. Andava sempre com ele e não me recordo da nossa separação. Ele sempre me protegeu enquanto estive fora de casa, até mesmo nos momentos em que tive medo do escuro. Parece-me que ao brincar/estar com ele, preparava-me para tudo o que poderia acontecer

Sentia-me acolhido por ele (pelo o que  o velho ursinho significava para mim).  Esses objetos (pode até mesmo ser uma madeirinha, paninho, ursinho) são muito importantes para as crianças em  seu desenvolvimento, criatividade, espontâneidade, entre outros.

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O que seria de mim se meu ursinho não estivesse lá (e olha que ele não era tão forte assim)?

Aposto que você tinha algo da sua casa que sempre levava para a escola, quando você era pequenininho/a!

O brinquedo de Lino, que o ajudou a “superar” a perda da Lua, foi a menina Estrela? Quem é o brinquedo no enredo do livro?

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Pergunta do dia: Você se lembra do seu brinquedo favorito?

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Pequenos Livros: O Ratinho, O Morango Vermelho Maduro e O Grande Urso Esfomeado


Qual seu maior medo? Como enfrentá-lo?  Como o ratinho irá escapar do grande Urso esfomeado?

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Desde sua primeira publicação, em 1984, “O Ratinho, O Morango Vermelho maduro e O Grande Urso Esfomeado”,  deve ter  causado inúmeras sensações em seus leitores. Medo, Compaixão, Receio, Ódio, entre outras…

Este picture book foi escrito pelo casal americano Don e Audrey Wood, autores premiados, que já produziram mais de 40 “livros infantis”. É muito difícil ter passado por esse “tipo” de livros, sem ter lido nenhum livro dos dois.

Os dois foram estudantes de Artes. Audrey começou a escrever livros após o nascimento de seu filho, Bruce, e Don começou  a ilustrar os livros de sua esposa no mesmo ano.  O filho do casal, hoje, também, é ilustrador e já trabalhou em mais de 20 livros.

Para conhecer mais sobre os autores , suas obras e, até mesmo, entrar em contato, podem acessar o site oficial aqui, o facebook aqui ou o twitter aqui .

É difícil pegar esse livro sem se deixar impressionar pelas ilustrações, principalmente pelo grande morango. Até mesmo consegue me tirar água na boca ao imaginar o quanto esse morango está maduro. Gosto da ilustração por me transmitir as sensações, volumes e  texturas presentes na história.

As letras do livro são grandes, porém, parecem-me pequenas diante da ilustração. Acredito que seja intencional.

No Brasil, este livro foi lançado pela brinque-book  com tradução de Gilda de Aquino (para saber mais da tradutora clique aqui ).

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ATENÇÃO: A partir daqui pode conter spoiler do livro

          A princípio este livro me chamou a atenção pelo modo como ele é contado. Parece que quem está falando com o ratinho somos nós, os leitores. Fiquei em dúvida… Será que não era o próprio ratinho falando com ele mesmo?  Afinal, ele morre de medo de um suposto urso que em momento nenhum aparece. O único momento que aparenta ser uma conversa de nós com ele é quando o ratinho oferece o morango como meio de impedir que o suposto urso esfomeado coma todo o seu morango.

Enfim, dúvidas a parte, fiquei pensando sobre as nossas fantasias e nossos medos que nos impedem de fazer um monte de coisa. Não seria como o enorme urso?

Só de não ter mostrado o urso na ilustração, o livro já levanta uma fantasia em todos que o leem. Como será este urso assustador? O que não aparece dá mais medo. Não dá para ver e conhecer o que causa o terror e isso paraliza. O não conhecer paraliza…

Alguns filmes de terror tendem a usar isso… Não mostrando o “Monstro”…Se mostrar perde a graça né? Nossas fantasias são muito mais assustadoras…

Quem nunca teve um medinho sequer do escuro quando criança? Lembro-me de acordar na madrugada com sede e acender todas as luzes da casa para poder descer a escada. Do que será que eu tinha medo? O meu urso era tão assustador assim? Não sei a resposta disso, mas sei que o meu lençol me protegia na volta para a cama. Além, claro, da minha super espada mágica….O pior é quando você descobre que seu grotesco urso assustador…é um ursinho de pelúcia haha, normalmente essa descoberta chega com uma frase: “Nossa! Era Só DISSO que eu tinha medo?”

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Há inúmeras formar das pessoas lidarem com o medo. E, normalmente, todas elas se encaixam em duas: fuga ou modificação. Ou foge completamente, “esquecendo”,  apagando… ou, transforma a “coisa” em algo, numa fantasia…. O “não-conhecimento”, assim, é aliviado.

O ratinho enfrentou realmente o urso? Ou foi fantasiado que dividindo o pedaço do morango, o urso não aparecia?

Estou viajando muito? Mas, uma coisa é certa….o medo se torna mais tolerável quando ele é dividido com alguém….

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          E a pergunta do dia é: Quem é o seu grande urso esfomeado?