Pequenos Livros: O Rei Que Queria Mudar o Mundo


Uma profecia que anunciava a chegada de um rei que mudaria o mundo.  Com o desejo de ser este rei, Simon sai de sua casa para conhecer o mundo e saber como mudá-lo. Conseguirá o jovem sonhador descobrir o que procurá?

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Este é um livro muito belo, com um bom acabamento de capa dura.  As ilustrações delicadas e simbólicas dão um tom de aventura e esperança à história. As letras do livro são pequenas e alguns parágrafos e frases do texto ficam maiores e ganham mais destaque.

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No Brasil, este livro foi lançado pela Ciranda Cultural , com tradução de Silvio Antunha. Original da França, não consegui encontrar detalhes sobre a autora, mas, quem se aventura no Francês, pode conhecer um pouco mais da ilustradora aqui.

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ATENÇÃO: A partir daqui pode conter spoiler do livro

Toda vez que eu leio este livro, coloco-me a pensar nos significados que podem estar escondidos. Assim como o texto, a ilustração me dá a impressão de um enredo com inúmeras dobras interpretativas. É como se eu tivesse que deixar o livro na minha imaginação para que eu pudesse sonhar os significados possíveis do que me foi passado.

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Ora, quem nunca quis descobrir um pouco do mundo e de si mesmo? Quem nunca teve um momento em que olhasse para além da janela e se perguntasse se há um grande segredo?

O nome Simon, protagonista da história,  é uma variação de Simão e tem como significado: aquele que ouve. As vezes, confesso, ouvir as árvores quando são balançadas pelo vento esperando que algum segredo seja revelado a mim para que eu pudesse sair em uma grande aventura.

Simon desejou virar o rei profetizado, esquecido pelos homens, para que pudesse acabar com a maldade que seu pai contava que existia no mundo. Ele conheceu um pássaro que lhe disse que poderia ensinar a mudar o mundo, porém, o pássaro voou para o sul e nunca mais voltou. Assim, o jovem que queria ser rei, saiu em busca do pássaro e das respostas que procurava.

Eu também busco um pássaro. Talvez não seja um só e sim vários.  As vezes tenho a sensação de encontrar um, mas, são apenas penas.  Outros eu já encontrei. Ao final, Simon encontrou o reino dele. Eu estou construindo o meu e ei de encontrar todos os meus pássaros reunidos.

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Pergunta do dia: Você deseja sair para alguma grande aventura?

Campanha por um blog sem erros!

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[Off] Estou de Volta!


Olá! Sejam bem vindos novamente ao meu blog!

Curiosos?

Bom, depois de pensar e repensar, criei um projeto para salvar este lugar que vós estais! Já que aqui eu estava todo perdido no blog (inclusive na minha vida). Não sabia sobre o que escrever e tinha muitas inseguranças quanto aos erros que eu cometia. Não que eu não tenha mais, mas, não ligo tanto para isso. Aprenderei a escrever escrevendo, oras! Mesmo que esteja tudo errado, com o tempo vai melhorando.

Com a ajuda da minha super Flávia, descobri o que eu realmente queria para o blog. E, sem mais delongas, colocarei aqui o que você poderá encontrar ao visitar este meu mundinho:

  1.   Pequenos livros: Escreverei textos especificamente sobre livros “infantis e  infanto-juvenis” .Esta categoria será a única fixa do blog, afinal, quero me tornar um escritor dos chamados “ livros infantis”, e isso me ajudará a entrar muito mais em contato com os livros. Será postado todo DOMINGO ao meio-dia (espero cumprir com a promessa na maioria dos domingos =D)
  2.  A cada conto: Acharam que se livrariam de ler meus contos? (Há alguém aqui que lê? Haha) Não sei a frequência com que irei postar esta categoria, mas,  ela terá novos textos =)
  3. Li e recomendo: Aqui irei postar qualquer leitura que eu fiz e gostei, tentarei contar um pouquinho sobre os motivos que me levaram a ler e a gostar
  4. Áudio e Visual: Aqui trarei indicações de Filmes/Séries/Imagens que eu tenha visto e gostado =)
  5.  My Precious: Meus objetos pessoais mais amados também terão um espacinho aqui no blog, afinal, eles contam muito de nós.

É isso pessoal, estou novamente inaugurando aqui e trarei esses assuntos =) Espero que gostem e voltem mais vezes! Só mais uma coisinha que eu quero lhes contar é sobre a página do blog no facebook. A imagem da capa será trocada toda semana e representará o livro que lerei para fazer o post da semana.

Com o tempo poderei lhes mostrar um pouquinho do que penso e acho sobre os “livros infantis”, que é diferente do que ultimamente vejo por aí (Tristeza mode:on)! E logo de início já posto o texto sobre o meu primeiro livro no próximo post =) Prometo que tentarei não ficar desabafando por aqui! A não ser se for preciso haha

Até mais!

Um sonho


Perco-me olhando, neste espelho, os olhos castanhos que não deixam mentir minhas ilusões. Quem será o observador? Quem vive num infundado delírio subjacente?

Imagino-me num grande e profundo poço onde, talvez, o outro lado seja a realidade que aspiro encontrar.

Quando torno a olhar a porta, o elevador, finalmente, chega ao seu destino. Saio para o corredor que me leva à grande avenida. Uma avenida que não é para carros, e sim para pessoas.

Mudei-me há pouco tempo e não me canso deste lugar agitado. Desconhecidos de todos os tipos andam perdidos em seus mundos particulares. Restaurantes e bares antigos esbanjando suas estruturas clássicas secular, alguns até mesmo feitos com ouro que refletem os pequenos pincéis de luz do sol. A avenida é composta de apenas uma pista, criada com o túnel verde de árvores gigantes enfileiradas, levando os desejos e anseios humanos que ali passavam.

Ao abrir a porta do corredor para sair, um ar gélido do aroma que as árvores exalam inflou meus pulmões. Senti-me vivo. Meus pés me levaram ao único restaurante que continha mesas para o lado de fora e me sentei em uma delas. O garçom veio até mim, seu rosto era triste e talvez eu pudesse enxergar as lágrimas nunca choradas, mas como um fantasma foi embora com meu pedido de uma água. Um dia, certamente, sentirei falta de ter perguntado o nome dele. Parei para observar os seres apressados perguntando-me se alguém ali estaria angustiado. Será que é querer demais ajudar e conhecer todos que passam por mim?

Perdi a noção do tempo e não vi minha água chegando, só sabia que de algum modo ela estava na minha mesa. Aquele fantasma tinha passado por mim novamente. Realmente gostaria de saber o nome dele, talvez um oi amigável. Mas, meu coração dizia que eu precisava sair dali, e entrei no túnel. Comecei a andar para o sentido que meu corpo mandava. Ele deveria saber onde estava o lugar certo. Bebi um pouco da água e a rapidez me fez engasgar. Tinha pressa. Andei e andei até os altos prédios se transformarem em casas. Tinha saído do túnel e agora, as árvores estão mais espaçadas, mas, ainda sua altura elevava pequenos olhos que não as conheciam.

Agora, já sei onde estou indo. O lugar tornou-se confortável para meu péssimo senso de direção. Sabia que ela deveria estar por lá. Não pensando mais, segui pela rua até encontrar uma casa com seu portão branco recheado de pequenos detalhes prateados. Ali estava cheio de pessoas. Não conheço ninguém. Sinto alguém me tocando delicadamente nas mãos, que está um pouco fria, um calor entra em transição e resolvo me virar. Nunca poderia esquecer esses olhos que tanto me chamou a atenção desde o primeiro segundo que os vi. Os únicos que me deixaram com ansiedade de aproximação e que me envolverão num desejo de conhecer a pessoa que lançava o olhar capaz de acelerar meu coração. E ele está acelerado agora. As bochechas dela estavam róseas por causa do vento. Seu iminente sorriso me contagiou. E com um tom um pouco rouco da voz disse:

– Pensei que você nunca viria.

Dei meu olhar de conforto, acho que ela entendeu meu recado. Eu sempre estaria por perto, mesmo que minha mente a esquecesse, minha alma se lembrava. Ela está puxando minha mão, me guiando por uma viela onde eu li que era um lugar sem saída. Vendo o final da pequena rua percebo que há um abismo. Irônico aquela placa dizer que é sem saída… Um tanto materialista. Mas, isso não importa. Ela soltou minha mão e agora corre em direção ao abismo. Meu coração dispara… Ela vai se jogar. Uma agonia que cresce dentro de mim me impede de gritar, só quero correr. Ela para e abre os braços, como uma borboleta que dança ao vento. Ofegante e assustado cheguei até ela. Ela me olhou. Não consigo impedir minha vermelhidão. Parece que consegue ler meus pensamentos, porque ela pisca e dá um leve sorriso. Ela diz:

-Este é meu lugar preferido.

Agora que o sol está se pondo percebo as luzes surgindo de uma cidade, muito longe, no fim do grande abismo. Uma visão espetacular. Consigo ver com perfeição o horizonte e o ar frio que reinava naquele local impediu as nuvens de aparecer revelando as pequenas estrelas que apareciam. E com essa visão, nos sentamos num banquinho que estava próximo à beira. A mistura das cores do céu vai acabando e a noite surgindo. Milhões de estrelas como num passe de mágica surgem. Os olhos dela brilham. Ela me olha, sei que não precisamos dizer uma palavra. Tudo ali é indefinido. Agora sei que a realidade que eu queria não está do outro lado do espelho. Está aqui. Agora. Neste momento.

Possibilidades de um silêncio


O som do meu relógio anuncia o novo dia chegando. Um misto de euforia, angústia, me toma conta. Talvez, seja toda a complexidade de meu coração que me impede de racionalizar minhas emoções.

Ainda com meus olhos embaçados de sono, sento na cama. Ao colocar meus pés no chão, de imediato, um leve arrepio percorre meu corpo. Está frio. Sinto meus pensamentos escorrer por entre meus dedos. Levanto-me e ao olhar meu reflexo no espelho, percebo minhas bochechas róseas e meus olhos brilham profundamente.

Queria poder lembrar do sonho que tive.

Vou até a janela e a abro. Num instante todo o mar de nuvens que se eleva no céu toma conta do meu corpo. Seu tom cinza parece revelar minha essência. Por um instante, parece que sei todas as respostas que procuro. Porém, o ar frio que infla meu peito me trás de volta à minha realidade e ela parece ser totalmente diferente do que me lembro.

Não sei que quarto é esse. Não sei onde estou.

Que lugar é esse?

Coloco uma roupa que estava próxima a mim e saio correndo para tentar encontrar alguém. Procuro em todas as portas que encontro pela frente.

Que casa é esta?

Cheguei em um lugar que parece uma cozinha. Diversos sentidos reaparecem com o aroma que ali está. Saboroso a ponto de minha boca salivar. Na mesa há pétalas de rosa que a forram, como uma toalha, e entre elas há grandes morangos, tortas, sucos, pães, talheres, cristais…

Estou com fome.

Será que posso comer?

Quando percebo, já estou comendo. O tato, paladar, cheiro, visão se misturam como a brisa suave e fria que passa por mim. Ao meu redor há diversos móveis e pinturas deslumbrantes que me chamam a atenção. Satisfeita dos alimentos, começo a andar entre elas e uma pintura retem meu olhar mais atento. Nela há uma imensa árvore com suas flores lilases com o vento passando por ela e milhares de pétalas voando. O céu, também, é cinza. Um cinza claro. Na plantação de trigo, que ali existe, crianças brincam e há grandes montanhas completando a imagem. Espanto-me ao verificar que bem escondida tem uma pequena casa. Sinto que tem uma pessoa dentro dela e chegando mais perto e quase fechando meus olhos para enxergar verifico o pequenino brilho dos olhos da pessoa. Com um enorme susto, meu coração dispara. A pessoa da pintura sou eu.

Um extremo medo me toma e ao tentar correr a casa toda se transforma. Agora, cheia de móveis rústicos, parece ser uma cabana. Vou até a porta e ao abri-la uma enorme ventania entra com milhões de pétalas.

Meu Deus. Estou dentro da pintura. Como isso aconteceu?

Ao verificar a imensa árvore vários sentimentos inundam minha mente. Fecho a porta com medo e sento na frente dela tentando esclarecer tudo o que acontece. Lágrimas caem sem mesmo eu entender o porquê. Mas, percebo que não é tristeza e sim, alegria.

Lembrando das crianças que vi na pintura decido ir procurá-las. Talvez estivessem lá. Abro a porta e em meio ao vento, pétalas e trigos saio em busca. Ao verificar atentamente o caminho ouço um grito distante. Olho para trás e um enorme conforto me toma. Lá longe está o que procuro. Um novo grito. É meu nome. Quem grita me conhece e de certa forma o conheço também. A voz é familiar.

Corro e nada mais que isso. Esqueço tudo o que estava acontecendo. Só quero chegar até ele. Borboletas parecem estar na minha barriga.

Estou chegando. Estou chegando.

Vendo-o, instantaneamente, começo a chorar novamente. Estou tão feliz. Ainda correndo tropeço numa raiz que ali se encontrava e antes mesmo de cair sinto-o me segurando. Com firmeza me sustenta e pergunta:

– Olá! Como está, minha querida? Estive te esperando.

A agonia em minha garganta de tanto correr não me deixa dizer mais nada. Uma lágrima de dor do tropeço cai. Suas mãos quentes me tocam a secando.

– Está tudo bem agora, você me encontrou. Não precisava fazer todo esse esforço. Nunca percebeu? Olhe para suas costas!

Assustada, olhei. Eram asas. Asas como de borboletas.

Como nunca as percebi? Como nunca senti?

Olhando para meus olhos profundamente soube que sabia tudo sobre mim. Minhas alegrias, fraquezas, delicadezas…Tudo.

– Elas sempre estiveram aí. Sempre pôde voar. Lembre-se sempre disso. Seu mundo é maravilhoso e sempre estarei por perto em seu coração para tudo o que precisar.

Segurando minhas mãos com firmeza começamos a voar. Era incrível. Não conseguia nem respirar mais. E fomos cada vez mais alto e mais alto. Logo, milhares de estrelas cintilam no reflexo dos olhos dele. Paramos em meio ao mar de nuvens.

– Se um dia precisar de mim, olhe-as [apontando para o céu]. Serão os reflexos do seu coração. Meus olhos.

Não resistindo lhe dei o mais doce e conforto abraço. Fechei meus olhos.

O som do meu relógio anuncia o novo dia que está chegando. Hora de acordar.