Pequenos Livros: Na Noite Escura


É noite

Talvez os vaga-lumes

Já tenham ligado

Suas lanterninhas

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Experiência! Esta é a palavra que, talvez, mais se aproxima do que tive ao entrar em contato com a obra de Bruno Munari. Sem pré-requisitos. Sem idade. Sem explicações.

E por não ter explicações, um texto não seria suficiente para lhes trazer um pouco do livro. Produzimos, então, um vídeo.

O autor ( 1907- 1998) foi designer, ilustrador, escritor, entre outros. Produziu vários dos chamados “livros-ilegíveis” e ganhou inúmeros prêmio. Para conhecer um pouco mais sobre seu trabalho, clique aqui ou aqui . Neste link aqui, você pode encontrar, em português de portugal, considerações de  Bruno Munari sobre os livros para crianças.

A importância do livro como um todo e seu “experimentar” está totalmente presente “na noite escura”. Com três diferentes tipos de papéis, texturas e cores adentramos uma interligação entre o suporte material e o visual.

Na noite escura teve sua primeira edição em 1956 e republicado pela editora italiana Corraini em 1996. Chegou ao Brasil em 2007 pela Editora Cosac Naify com tradução de Nilson Moulin.

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ATENÇÃO: A partir daqui pode conter spoiler do livro

Ou não. A experiência nunca pode ser comparada. Estamos tão acostumados a fugir dela que, quando entramos em contato com algo/alguém , causa-nos imensa dor. A produção do vídeo revelou muito dessa dor que é experimentar nossos sentimentos sem palavras.

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A ideia deste livro traz bem esta questão. Estamos em um mundo tão rápido e simbolizado apenas por letras. E quando nossos sentimentos não encontram palavras? Estamos preparados para lidar com eles?

Ao virar as páginas do livro eu ia chegando mais perto do que eu procurava. Eu ia atrás de uma luzinha. Queria tocar, agir, pegar. Fui curioso. E eu sabia o que deveria fazer, virar mais uma página.

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Pensei muito na minha vida, quais são as luzinhas que estou perdendo, o que tampa a minha visão? Não posso sair virando a página da minha vida sem vivê-la. Ainda sim, não a vivo para entender as únicas luzinhas que enxergo.  Tomando o profundo pelo superficial. Minha noite chove.

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 Pergunta do dia: Você se lembra da maior experiência da sua vida? (Até mesmo pode ser aquele sabor daquele doce que você comia quando era criança)

Campanha por um blog sem erros!

Um dia…


Foi um dia comum dentre todos os delírios e extenuadas emoções em que até então estivera presa. Foi um dia comum no inesperado pacote de tempo que eu pensei ter perdido há muito tempo atrás. Foi num dia comum que descobri toda a verdade que minha delicada máscara tenta esconder. Foi num dia comum que toda minha vida, para sempre, mudou.

Tudo aconteceu quando, num dia perfeitamente nublado, perfeitamente frio (naquela temperatura perfeita para os sentimentos aflorarem), a vontade de escrever tomou conta de toda a minha essência. Sentei na guia tentando ouvir a suave brisa me contar tudo aquilo que meu coração estava gritando, clamando, para se expressar.

Imediatamente peguei um pedaço de uma papel velho que no chão se encontrava e comecei a soltar tudo, turbilhões de sentimentos, pensamentos e ilusões seguraram minha mão e me guiaram pelo mundo que eu ainda não conhecia… tão presa às minha mentiras que inventava para me acalmar, não sabia que tudo poderia explodir ali mesmo. E se esvaiu todo tempo e espaço que pensei ser real. Escrevendo irracionalmente, pensei que tinha perdido a mim mesma… mas, pela primeira vez, estava sentindo a sensação de pertencimento. Pela primeira vez todas as minhas lágrimas puderam ser entendidas e materializadas no mais suave e poderoso gesto: escrever.

Era como se uma enorme e extrema força subjugasse todos que conheci um dia para aquele velho papel.

Quando tudo já estava solto, consegui novamente enxergar à minha volta… meu mundo tinha desaparecido, não conhecia mais aquele lugar. Enormes complexos montanhosos se estendiam à minha vista. Parecendo planar na mais delicada cama de nuvens o ar, rarefeito, inflava meus pulmões acelerando meu coração. Sentia que estava diante de uma força poderosa, o som barulhento do silêncio parecia chamar meu nome. Não exitei e gritei:

ALGUÉM ESTÁ AÍ?

(…) eco

ALGUÉM PODE ME ESCUTAR?

(…) vazio

como um repentino arrepio senti alguém atrás de mim, respirava próximo ao meu ouvido. Senti meu estômago embrulhar e meu coração foi ao seu limite como se todo meu corpo entrasse em sintonia com a sua rapidez.

Virei rapidamente.

(…) nada estava ali.

Milhões de ideias de repente apareceram como o céu estrelado naquele lugar. Anoiteceu.

Olhando para o abismo diante de mim, pensei se era alguma prova. Ora, por que fui parar naquele lugar? Estava presa no pico do infinito. Ahh, esse era o infinito. Que sinestesia mais intensa que pertencia a esse lugar. Sons, gostos, visões, cheiros… tudo misturado nesse obscuro que somente era iluminado pelos trilhões de estrelas que me observavam. Juro que ouvi uma conversar com a outra dizendo:

ela não vai conseguir”

Psiu…ela pode nos ouvir”

Mas devem ser minhas ilusões novamente… sem poder comer, meu corpo já sentia minha fraqueza e se deixou cair no solo áspero e frio. Abracei meus joelhos com toda a única força que me restava.

Amigos, Carinho, Família, Amor…cadê eles nessa hora? Estava sozinha?

(..) continua.;