Desabafo de uma década que está acabando


Nada. Nada acontece quando não sei realmente o que faço. A vida torna-se meramente limitada a ver, ouvir, sentir com significados tangíveis de ser entendidos. Hora perco-me ao tentar conhecer a mim mesmo, hora disfarço entender…

Pacotes de tempos são perdidos e estendidos à meras ilusões, delírios passíveis de ser enterrados em lágrimas extenuadas. A mais pura sensibilidade que os anos e segundos me ensinarão , são limitados ao fim.

Voo ao vazio, partindo de um coração sem vida, sem melodia; era o único que poderia retirar o barulhento silêncio que teima em invadir os raros e tenros sonhos que por vezes aparecem.

Não me canso de esperar aparecerem…

Mas, vícios subvencionados por uma cultura degradada que não deveriam ocorrer, ocorrem. Sinto-me sujo, nada é límpido, nada satisfaz, nada é suficiente.

Escorrem desesperos pelo olhar…

GRITO….. vazio

GRITO….. ninguém

No fim, nada e nada acontece.

Por isso parto, parto para a nova década. A liberdade de meus infortúnios pesos indolentes, que calejaram meus porques cansados, torna-se aparentemente visível. Súplicas são ditas ao vento para que, de encontro a ele, possa libertar toda borboleta que um dia aprisionei em minhas mãos.

Alguém consegue ouvir meu grito de adeus? A Deus?

Talvez, minha existência está a um passo. Na próxima montanha. Na próxima curva. Na próxima pessoa. Na próxima…

Parto-me

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