Entrevista: Margaret Wild

Olá pessoal, lembram da postagem do livro da Vó Nana? Alguém leu o livro por indicação do post? Bom você tem mais um motivo para querer depois de ler a entrevista com  a autora Margaret Wild.

O My Blueberry Posts obteve permissão de um site australiano de livros infantis para traduzir a entrevista que foi feita por eles com a autora. Sem grandes delongas, que estamos todos curiosos, segue a entrevista:

Tradução: Marina Fioravanti

Fonte: Kids’ Book Review

margaret

A Kids Book Review está realmente emocionada em receber a adorável Margaret Wild – estimada e premiada autora – com esta entrevista fascinante. Eu conheci Margaret em Camberra no ano passado, quando ela lançou “Itsy Bitsy Babies” e também foi encantador ouvi-la ler pessoalmente, junto com o autor/ilustrador Jan Ormerod. Aproveite!

 

Bem vinda, Margaret. Conte-nos um pouco sobre você.

Eu cresci na África do Sul e vim para a Austrália no começo dos anos 70. Eu já trabalhei como jornalista e editora de livros, mas agora eu escrevo em tempo integral. Eu tenho dois filhos, ambos adultos, e dois netos. Jack tem três anos, e é maravilhoso ver a alegria dele com as pequenas coisas da vida.

Há quanto tempo você escreve?

Meus primeiros livros, incluindo “There’s a Sea in My Bedroom”, ilustrado por Jane Tanner, foi publicado em 1984 – e eu continuei escrevendo para crianças desde então. Enquanto eu tiver ideias e algo a dizer, vou continuar.

there's a sea in my bedroomEu amo escrever livros para crianças. Quando sou contaminada (literalmente, ela diz “quando pego o germe de uma nova ideia”) por uma nova ideia, eu estremeço levemente pela antecipação ou reconhecimento. Eu não faço nada de imediato com a ideia. Eu a deixo lá, no fundo da minha mente e penso sobre ela de vez em quando, deixando ela “amadurecer”, às vezes anoto partes da história. Uma vez eu tive a história toda na cabeça – eu preciso saber, especialmente, como começa e como termina – sentei no computador e escrevi o primeiro rascunho. Então, eu continuei reescrevendo – rascunho após rascunho – até que eu senti que ela estava tão boa quanto eu poderia fazer, o que geralmente não é bom o suficiente.

Como você decidiu escrever para crianças?

Além de escrever para jornais e revistas, eu sempre me aventurava com pequenas histórias e poemas, mas eu não tinha ideia do que eu realmente queria escrever. Quando meus filhos eram pequenos, eu lia para eles todos os dias e amava livros infantis como “Millions of Cats” de Wanda Gag e “The very Hungry Caterpillar”, de Eric Carle. Dois dos meus livros favoritos de todos os tempos são “Where the Wild Things Are”, de Maurice Sendak e “John Brown, Rose and the Midnight Cat”, de Jenny Wagner. Estes dois livros me fizeram querer tentar escrever minhas próprias histórias. Eu senti que tinha achado meu lugar.

Você se lembra da primeira história que escreveu?

Na verdade, eu escrevi três histórias, uma após a outra, e as mandei para diferentes editoras. São elas “Something Absolutely Enormous”, “On Shoe On” e “There’s a Sea in My Bedroom”. Para minha surpresa, todas as três foram aceitas e publicadas em 1984.

itsy bitsy babies

Fui muito afortunada em ter “There’s a Sea In My Bedroom” como finalista do CBC Awards (Prêmio do Conselho de Livros Infantis da Austrália), pois significava que o livro tinha atraído certa atenção e que as editoras seriam receptivas quando eu as mandasse mais histórias.

Qual a sua maior paixão em escrever livros para crianças?

As crianças são muito imaginativas e abertas para o mundo, isso me dá a liberdade de inventar histórias que me interessam – e que eu espero que interesse às crianças. Desde que a história e os personagens sejam críveis, as crianças estão dispostas a aceitar porcos idosos (que morrem), pequenos cachorros que cabem no bolso e um mar dentro do quarto.

Porque você escreve?

Basicamente, eu acho que escrevo porque, se eu não o fizer, me sentirei inquieta, infeliz e insatisfeita. Eu preciso fazer alguma coisa, criar alguma coisa – quando eu tenho uma ideia nova, uma nova história, me sinto contente, alegre, absorta, engajada e razoavelmente agradável de conviver.

No ano passado, você lançou “Itsy Bitsy Babies”, ilustrado por Jan Ormerod. Como foi trabalhar com outro autor/ilustrador renomado?

Jan e eu não nos encontramos até depois que o livro foi publicado, o que frequentemente acontece quando os escritores e ilustradores vivem em estados ou países diferentes. Quando eu estava escrevendo a história já tinha as figuras dela em mente, então fiquei encantada e maravilhada quando ela concordou em ilustrar o livro.

Nós nos encontramos uma vez, quando o livro foi publicado, e eu não fiquei surpresa em descobrir que ela é tão adorável quanto seus personagens. Nós estamos fazendo outro livro juntas, “Itsy Bitsy Animals”, e novamente temos pouco contato. Espero que possamos nos encontrar quando o livro for publicado.

Você já escreveu um grande número de belos e premiados livros infantis. Você pode nos dizer quais são seus favoritos (dos seus próprios) e porque você os escolheu?

Pra ser honesta, meu livro favorito será ou o que eu acabei de finalizar ou um em que ainda estou trabalhando.

harry and hopper

Dos que já foram publicados, gosto muito de vários deles por diferentes razões. Por exemplo: There’s a Sea in My Bedroom, pois foi meu “livro da sorte”; Fox, porque as ilustrações, tipografia e design de Ron Brooks são incrivelmente originais , belas e inovadoras; Old Pig (também ilustrado por Ron), porque as imagens são encantadoras. Harry and Hopper, porque a ilustradora Freya Blackwood aproximou-se da história de maneira muito sensível.

Mas não acho justo citar apenas estes livros. Tem sido um privilégio trabalhar com ilustradores tão talentosos – pessoas como Julie Vivas, Ann James, Terry Denton, Donna Rawlins, Wayne Harris, Ann Spudvilas, Stephen Michael King, Deborah Niland e Kerry Argent.

Qual foi o livro mais difícil de escrever?

Acredito que o mais difícil foi o livro de poesias,  Jinx and One Night. Pois é composto por partes bem curtas, e cada palavra conta. Um palavra errada ou rima fora de lugar logo irá sobressair.

Quais as três características de um bom livro infantil?

Acredito que são necessárias mais de três: uma ideia original, personagens chamativos, uma boa história, um final satisfatório e, é claro, a junção dos melhores textos às melhores ilustrações. Pois um livro infantil tem, no máximo, 32 páginas, não há espaço para sub-tramas ou muitos personagens. Acredito que uma ideia interessante é o cerne da história.

Que livro você gostaria de ter escrito?

Tenho que mencionar pelo menos oito! Bark, George de Jules Feiffer. John Brown, Rose and Midnight Cat de Jenny Wagner. Millions of Cats de Wanda Gag. Owl Babies de Martin Waddell. The Giving Tree by Shel Silverstein. Good Night Moon de Margaret Wise Brown. The Very Hungry Caterpillar de Eric Carle. Where the Wild Things Are de Maurice Sendak. 

Quais foram os grandes obstáculos que você vivenciou ao longo de sua carreira?

Meu maior obstáculo foi, na verdade, minha própria falta de persistência – eu comecei muitos livros ao longo dos anos, mas terminei poucos deles. Para mim, escrever um livro é como correr uma maratona – como eu sou pequena e leve acredito que sou uma boa corredora. Mas estou determinada a fazer melhor.

 oldpigComo o cenário da literatura infantil australiana tem mudado na última década e que rumos tem tomado?

Acredito que a aceitação dos livros infantis tem sido menor, pois sua produção tem sido cada vez mais cara, e eu não acho que muitas editoras estão interessadas em produzir livros “difíceis”. Por outro lado, parece haver uma fatia de mercado insaciável por livros de fantasia e romances. Portanto, meu conselho para novos autores seria para escrever alguns romances para leitores mais jovens, pois é mais provável que eles os aceitem prontamente.

Se você não fosse escritora, o que seria?

Se eu tivesse o talento (que eu não tenho) eu seria pintora. Não consigo pensar em nada melhor do que mexer com charcoal, lápis e tinta. Eu adoro o trabalho de Joy Hester – é muito expressivo e emocional. Psicologia infantil também me interessa muito, bem como história da arte.

Quais livros você leu e gostou quando era criança?

Assim que eu descobri que conseguia ler com facilidade e fluência. eu devorava cada livro em que colocava minhas mãos. Li todos os da Enid Blyton, a série Anne of Green Gables de Montgomery, Seven Little Australians e outros livros de Luisa May Alcott, The Scarlet Pimpernel de Baroness Orczy,Peter Pan de James M. Barrie, Daddy-Long-Legs by Jean Webster,
As soon as I discovered I could read easily and fluently, I devoured every book I could lay my hands on. All of’s books, series by L.M. and other books by Ethel Turner, Little Women and other books by Louisa May Alcott,  Greek myths and endless collections of fairy tales (My favourites wereThe Snow QueenThe Little Mermaid and The Selfish Giant). 

 

Descreva seu processo diário de escrita.

Antes de tudo, café! Na verdade eu não trabalho em um horário específico. Se eu estou absorta em um livro, penso a respeito dele constantemente e me sento em frente ao computador durante algumas horas. Quando eu travo, simplesmente descanso por um tempo. De alguma forma, apenas por estar relaxada, acho que os problemas acabam se resolvendo por si mesmos. Uma nova ideia me renova o ânimo de voltar para a história. Geralmente trabalho em vários projetos de uma vez. Se me canso de um, posso dar uma pausa e trabalhar em outro.

Você tem algum conselho para os aspirantes a autores e ilustradores de livros infantis?

Simplesmente comece. Muitas pessoas com quem converso que dizem querer escrever ou ilustrar nunca finalizam um trabalho. Escreva, mande para uma editora e, enquanto você espera pela resposta, comece a próxima história. Seja determinado e resiliente, aceite as críticas e a rejeição. Os editores estão aí para lhe ajudar a fazer o melhor livro possível.

Descreva a si mesma em cinco palavras.

Um trabalho otimista em andamento.

O que vem a seguir para Margaret Wild?

Alguns livros de fantasia para crianças de 9-12 anos, um de poemas para a mesma faixa-etária, um romance para leitores mais velhos (se algum dia eu termina-lo) e diversos livros infantis.

 

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